26/01/2016

Minha gravidez aos 15 anos

O relato de hoje é da mamãe Luana, que engravidou sem planejar aos 15 anos, e conta para gente como foi passar por isso tão novinha e como o amor entre mãe e filho ajuda a superar todos os empecilhos.

“Olá mãezinhas, mãezonas, mãezocas e todos os apelidos carinhosos e fofos que dão pra gente nesse mundão. Meu nome é Luana e vim aqui dividir um pouquinho da minha “experiência” de maternidade com vocês. Explicando as aspas: você nunca será experiente como mãe. Todo dia é uma descoberta e um aprendizado, independentemente da idade da sua cria.

Antes de começar, quero dizer que isso não é um relato de superação ou qualquer coisa do tipo. Tô abrindo minha vida pra vocês tirarem dúvidas e terem certeza que ser mãe é a maior prova de amor que você tem pra si própria.

Me abri a experiência da gravidez aos 15 anos. Sim. 15 anos. Adolescente, inexperiente. Conheci o pai da minha filha na nossa escola, namorávamos há cerca de 1 ano e logo no início da minha “vida sexual” (que termo estranho!) eu engravidei. Sempre fui muito reservada. Tá bom, tímida. Tá bom... Eu não tinha intimidade com ninguém pra conversar sobre sexualidade, nem com minha mãe. Nessas horas o que mais se precisa é da mãe da gente e era justo o que eu não tinha. Foi uma barra esconder, eu não sabia como dizer, ou quem contar. Minha família é bem rígida e eu não tinha um bom relacionamento com o marido da minha mãe. Sabia que contar pra eles que estava grávida traria consequências gravíssimas... Eu só tinha o meu namorado.

Nessas horas a primeira pessoa a bater a nossa porta é o medo, acompanhado do desespero. Se tem uma coisa que a gente esquece é da nossa força. Não tenha vergonha de assumir fraqueza, é o primeiro passo pra ter ajuda. Ser mãe na adolescência, em ano escolar, com todas as expectativas de futuro indo por água abaixo pra ser substituídas por fraldas e mamadeiras na madrugada... eu não queria isso pra mim. Maternidade nunca foi meu sonho. Cuidei do meu irmão desde muito pequena, fui babá pra ter uma grana, queria morar sozinha, não casar, uma casa no meio do nada com um monte de cachorros e uma rede amarela na varanda... Eu vi de perto a barra que a minha mãe passou pra criar a gente e tudo que eu queria era cuidar dela depois de adulta e não cuidar de outra criança. Cair na real levou um tempo.

Eu escondi a gestação até o sexto mês. COMO ASSIM, LUANA? Calma, escondi mais ou menos né... mãe sempre sabe, não importa se você e ela são próximas ou não. Ela desconfiava. Meu namorado arrumou um emprego assim que completou 18 anos. Já sabíamos que teríamos que morar juntos porque meu padrasto não aceitaria que eu ficasse em casa. Dito e feito.

Minha mudança aconteceu 10 dias antes do nascimento da minha Lavínia <3

No dia 23 de março de 2009, nasceu minha florzinha, com 3,750 kg, 48 cm e 37 cm de circunferência craniana. Ah, a circunferência craniana a gente nunca esquece!

Eu não chorei de dor, não chorei por ter ficado sozinha numa cama de hospital (papo pra outro post), não chorei pela violência do parto. Chorei quando vi aquele olhão castanho claro arregalado e aquelas mãozinhas espalmadas me tocando pela primeira vez. Depois de 9 meses de tensão, de sofrimento, de apreensão, ter a Lavínia em meus braços me fez esquecer de todos os problemas que tive antes da vinda dela. Me fez ver que os planos que eu tinha feito pra mim, cabiam ela também e poderiam até ser melhor com ela junto. 

Se teve dificuldade? Teve muita. 

Mas eu venci. Venci porque quando você vira mãe, sua força tá naquele sorriso que você recebe quando chega em casa cansada depois de um dia puxado e sufocante. 

Encontrei na saudade que eu sentia dela, a determinação que eu precisava pra terminar a escola, começar a faculdade e me dedicar ao trabalho, porque minha filha merece todo e qualquer esforço afinal, ela me ama de graça, o mínimo que eu posso fazer é dar minha vida pra ela, é fazer ela feliz. A falta que ela me fazia durante as horas fora de casa me motivavam a acabar logo e voltar pra ela. Lutei, tô lutando e vou vencer com ela do meu lado.

Não precisa seguir meu exemplo. Eu não sou exemplo de nada. Só lembra que você também é mãe. Não interessa sua idade, não importa o julgamento alheio. O amor entre você e seu bebê é a coisa mais pura e verdadeira que existe e não há nada que possa afetar.

Hoje a Lavínia tem 6 anos. Aprendeu a ler, a danada. Eu escrevo cartas pra ela ler quando crescer. Escrevi uma pra ela ler no aniversário de 15 anos, no café da manhã do dia 23/03/2024, que eu vou levar na cama dela na nossa casa nova, em que moraremos só nós duas. Não há futuro pra mim sem a Lavínia, assim como eu quase não lembro de quem eu era no passado antes dela chegar. Eu não sei mais como é não ser mãe.

Vocês vão saber do que eu tô falando. Não tem coisa melhor, não tem amor mais forte e que te complete tão perfeitamente.

E se essas simples palavras me permitem o dom do conselho (que se fosse bom era vendido), aproveitem a maternidade ao extremo. Amamente, deixe dormir com você, deixe se sujar, tome banho de chuva, deixe cutucar os bichinhos do jardim, deixe fazer bolo de lama, comer seu batom, riscar a parede... são marcas tão gostosas pra gente ter na vida, te aproximam tanto do seu filho. 

Construa desde o dia do nascimento dele a relação que você quer ter pra sempre. A parceria com seu “piázinho” tem que começar no cordão umbilical. Um último conselho: Seja feliz, mamãe! Seja feliz com suas estrias, com suas gordurinhas, com seus peitinhos que sim, sofrerão com os efeitos da gravidade e da flacidez. Não tem marca no corpo que derrube o sorriso lindo que teu bebê vai colocar no teu rosto. Seja feliz.”

Luana Brevinski é a mamãe feliz da pequena Lavínia. 

*Esse depoimento encontra-se no capítulo "A ma/paternidade é transformadora" do nosso primeiro livro. Leia outros depoimentos, bem como textos de profissionais convidados adquirindo o livro através do link: http://bit.ly/2gbmuNY

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